O Sarney de ontem é o Lula de amanhã


“Todo povo tem o governante que merece”. Cunhada pelo pensador Tomás de Aquino, teólogo da Igreja Católica, esta máxima parece ser definitiva, acabada. Por ela, se um governante é péssimo a culpa não é dele... É do povo. Muito fácil e muito bom – para o governante. Ele faz o que quer e não precisa assumir nada! Mas é também o mesmo St. Tomás de Aquino a ensinar que poder soberano é o do povo sobre o governante, e não o contrário.

Recorro a esta idéia para convocar você, que dedica seu tempo a ler estas palavras, a refletir sobre o que nós, brasileiros, temos feito nas últimas eleições. Será que realmente temos os governantes que escolhemos? Se você não for “companheiro” do nosso presidente Lula nem está pendurado em um cabide financiado com dinheiro público, responda com sinceridade: foi nesse presidente que votamos? Tudo bem, não fique constrangido: eu votei nele, ainda que apenas em 1989, 1994, 1998 e em 2002... Eu queria Mudança. Assim, com “M” maiúsculo!
Insisto: o Lula que elegemos é o mesmo que ocupa o Palácio do Planalto nos dias atuais?

Pelo que me lembre, votamos contra José Sarney, contra Renan Calheiros, contra Jader Barbalho, contra... Contra “tudo isso que está aí!”. Lembra-se?

E o que vemos agora? Que exatamente “tudo o que estava lá” continua “lá”!

74% das pessoas entrevistadas em uma pesquisa de opinião afirmaram que continuam “contra Sarney”. Ou seja: o nosso povo não mudou. Então quem mudou?

Aqueles em quem depositamos nossas esperanças de transformação é que mudaram. Aproveitam-se de um povo idiotizado por anos de ditadura militar e depois por governos esdrúxulos (Sarney, Collor, Itamar...) para implantar a idéia do “santo milagreiro”, do salvador do presente e do futuro. Por exemplo: ninguém antes de Lula prestou. Ninguém prestará depois dele.

Que saudade tenho dos anos 80 do século passado, quando a ditadura militar agonizava. Fazíamos política com idealismo! O Sarney daquele tempo era o presidente do PDS, o partido da ditadura. E lá, nos confins do meu Mato Grosso do Sul (em Amambai, Ponta Porã, Dourados, Tacuru, Coronel Sapucaia, Iguatemi, etc.), gritávamos por Democracia. “Fora Sarney!” era o nosso lema... E olha que a maioria dos lugares que citei viviam sob a égide da famigerada Lei de Segurança Nacional (LSN), que estabeleceu todos os municípios fronteiriços como Área de Segurança Nacional (moçada, “já” para o Google!). Os prefeitos eram nomeados pelo governador, que por sua vez era nomeado pelo presidente da República, que por sua vez era nomeado pelo Colégio Eleitoral, que por sua vez era dominado pelo PDS, que por sua vez era presidido por... José Sarney!

Nossos líderes eram figuras como Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Mário Covas, Leonel Brizola, Miguel Arraes, Franco Montoro, Dante de Oliveira, Teotônio Vilela, Lula, Eduardo Suplicy, Roberto Freire, Fernando Henrique Cardoso...

Quem são os nossos líderes hoje? Qual deles nos emociona ao subir na tribuna do Senado ou da Câmara? Qual deles tem o discurso que nos faz aflorar lágrimas?

Quando alguém sobre à tribuna nos dias atuais não nos emociona mais. Nos envergonha. Vai lá para defender-se de coisas indefensáveis. A imprensa já não nos mostra multidões ocupando praças e ruas com gritos de ordem... Nos joga na cara as declarações imorais de apoio (até) de um presidente (com “p” minúsculo) a este ou aquele, com “salgados” e “canalheiros” capitaneando as manchetes.

Onde foram parar os nossos sonhos? Onde eles dormem?

Tivesse Tomás de Aquino nascido nos dias atuais, e não em 1225, não teria escrito que o povo “tem o governante que merece”. Pelo menos o povo brasileiro.
Nossos governantes, assim como os vírus da AIDS e o da gripe, metaformoseiam-se, travestem-se... E sempre nos contaminam. Usam o nosso remédio contra nós mesmos.
O Lula de hoje é o Sarney de ontem. O Sarney de ontem é o Lula de amanhã.

Ah! Em tempo: “Dilma Roussef”. Onde ela estava nos anos de 1984, 1985, 1986, 1987, 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004?

Quem disse que essa moça pode ser a minha presidente? Lula? Quem é o Lula de hoje? Quer descobrir? Releia o título.



TRÂNSITO EM CAMPO GRANDE: "RUGAS" NA JOVEM MORENA

Tenho insistido, em meu programa na rádio Transamérica Hits Campo Grande, que precisamos “atualizar” a capital sulmatogrossense no que diz respeito às suas condições de Trânsito.

Passei muito tempo longe do meu estado. Em 1991 deixei Ponta Porã, minha cidade natal, e embrenhei-me numa verdadeira aventura no interior da Bahia. Morei até dezembro de 2008 em Irecê, pólo de uma região densamente povoada em pleno sertão vítima da teimosia da natureza (não manda chuva) e da falta de políticas públicas voltadas para a solução dos centenários problemas locais. Aprendi muito; à época da minha chegada por lá, o meu Mato Grosso do Sul despontava como celeiro de crescimento e desenvolvimento econômico, político e social: figurávamos dentre as maiores rendas per capita nacionais, a política dava saltos democráticos e até no cenário artístico e cultural éramos destaque.

O sertão baiano, por sua vez, era um antro da politicagem de seguidores do então todo-poderoso ACM, meios de Comunicação subservientes (e coniventes), a classe política à frente de um processo de depredação moral e de alienação do seu povo.

Meu retorno para cá, agora para morar e trabalhar em Campo Grande, em parceria com o Grupo Feitosa de Comunicação, pôs-me frente a frente com a realidade pujante de um estado que tem tudo para ser moderno e eficiente, política e administrativamente. Mas...

A Bahia, por incrível que pareça, avançou. Do seu jeito, mas avançou. Lenta, preguiçosamente, a alternância no poder se deu com a ascensão de Jaques Wagner ao governo estadual. Na “terra de ACM”, Lula obteve mais de 70% dos votos – não que isso seja bom ou ruim, apenas sinalizo com isso a disposição do povo pela mudança.

O Mato Grosso do Sul também passou pelo processo da alternância, embora inversa no sentido político. Talvez ocorra o mesmo com a Bahia, por sinal.

Mas voltemos ao “tema” do início: Campo Grande, com enfoque para a sua sinalização de Trânsito. O que temos hoje é uma vergonha. Pior: uma tragédia! Para mim e tantos outros que pouco conhecem a capital do MS, ou que por aqui apenas passam, é uma tortura buscar informações em nossas ruas. “Onde fica a saída para São Paulo? E para Cuiabá? Para onde fica o Mercado Municipal? Como faço para ir ao Terminal Rodoviário?”, são perguntas frequentes e necessárias. As placas de orientação, raras, são enferrujadas e minúsculas, quase invisíveis; semáforos antiquados e em absoluta dessincronia; ruas que subitamente se tornam contra-mão, congestionamentos na maior parte do dia... Diante de tudo isso, paradoxalmente, ostentamos altos volumes de multas, boa parte delas provocadas nas famigeradas “lombadas eletrônicas”, proibidas em várias cidades.
Exatamente onde vai parar o dinheiro arrecadado com os milhares de multas?

Nem tudo, felizmente, é má notícia. O prefeito Nelson Trad Filho tem sinalizado que quer tornar dinâmico e civilizado o nosso Trânsito. Indicou claramente isso ao substituir o comando da Agência de Trânsito Municipal, nomeando para seu diretor um especialista na área, Rudel Trindade Filho. As fichas estão depositadas, as apostas já estão feitas. Resta saber se o novo gerente do Trânsito local terá verba e liberdade para fazer o que é necessário. Caso contrário, a Cidade Morena, nossa jovem capital, continuará a ganhar rugas em sua tão bonita face.



AGORA É BONITO SER FEIO






Roubalheira, corrupção, prostituição: bruxaria ou culpa da hipocrisia?
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Creio que todos nós, em algum momento de nossas vidas, nos deparamos com pessoas ou coisas que, invariavelmente, tendem para o lado pior. Sim, pessoas ou coisas: não são só indivíduos que não “dão certo” na vida e que vêem naufragar tudo o que fazem. Quantas vezes já vimos um carro que simplesmente não tem conserto? E a parede que teima em empenar? A geladeira que vive com defeito? E aquela árvore que, entre dezenas da sua espécie, é a única que não dá frutos e ainda vive “triste”?
Tem gente que chama a esses, digamos, fenômenos como uma manifestação de azar, má-sorte, descrença... Uma “energia negativa”, num idioma simpático aos esotéricos.

Não sou esotérico nem supersticioso, não acredito em Saci-Pererê ou na “mulher de branco”. Mas às vezes me flagro pensando no que pode provocar esses acontecimentos que aparentemente não têm explicação lógica. E devo confessar: nunca cheguei a uma conclusão.

Sei que é muito mais fácil a gente explicar o insucesso dos outros. Sempre estamos prontos para apontar as razões que levaram o nosso semelhante à bancarrota, material ou moral. Por motivos não entregues ao conhecimento da maioria, somos sempre “cegos” quando se trata de enxergar as razões para os nossos próprios fracassos.

O Homem é fruto do meio-ambiente em que vive. Essa máxima me impôs a tarefa diuturna de contribuir, com os meus atos, para a melhoria do “meu” meio-ambiente. Em se tratando de lutar por direitos e deveres, sempre fui um chato – ou, nos tempos mais modernos, um idiota. Afinal, é assim que são vistos aqueles que querem “tudo certinho”. No Brasil de hoje, e de há bom tempo, as coisas só dão certo quando aplicadas a lógica do “jeitinho”: nas empresas, nas instituições, no dia-a-dia das pessoas. E eu odeio “jeitinhos”... Logo, sou um abestado!

Chegando ao cerne: os acontecimentos mais recentes acenderam em mim uma luz de alerta. Sinto que minhas esperanças estão esmaecidas, amareladas e sem combustível. Olho para Brasília e vejo a hipocrisia sorrir, vitoriosa, na cara da verdade. Olho para as igrejas e vejo gente roubando gente, vendendo o que não tem para pessoas que nada têm. Volto os olhos para o mundinho à minha volta e percebo que há uma contra-mão à toda força, puxando-nos para a falência de nossos sonhos. Sim, estou falando de Irecê, na Bahia, e do semi-árido que nos cerca – e de todas as cidades e das gentes que são como aqui, espalhadas país afora. Já não se sonha, apenas se conforma com o pesadelo.

É decepcionante viver em uma sociedade que condena qualquer um que verdadeiramente pensa. A lógica é sempre invertida: não há seguidores da luz, apenas pessoas com estilingues prontos para alvejar as lâmpadas da cidadania.

Às vezes penso que o povo brasileiro é como o carro que citei no início. Somos fadados a não ter conserto; viveremos sempre à margem da pista, empurrando nosso carrinho no acostamento da rodovia expressa da História. Chegamos ao cúmulo de vangloriar a incultura e transformá-la em virtude; aplaudimos de pé a nojenta esperteza política; jogamos a ética em um liquidificador e vaiamos políticos corruptos e heróicos atletas ao mesmo tempo, com o mesmo fôlego.

Os nossos valores éticos e morais atingiram tal grau de cegueira que já não vislumbramos a diferença abismal entre R$ 380 milhões e R$ 3.750.000.000 – ou, para quem já não se recorda, a diferença entre o projeto orçado e a obra executada na Vila Olímpica do Pan 2007. Afinal, qual o tamanho da mediocridade dos engenheiros que fizeram o tal orçamento inicial? Será que conseguem somar 2 + 2 e chegar ao fatídico 4? Pior: a criminosa transposição das águas do São Francisco está orçada em R$ 5 bilhões. Se a “oscilação” orçamentária variar tanto quanto no Rio... Quem suporta?

Nem a oposição toca no assunto – quanto mais a sociedade!

Sou brasileiro. Mas não faço parte do coro que, nos estádios, vai às lágrimas aos gritos de “Eu... sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amooooor!”. Isso me lembra um hino dos tempos da ditadura: “Eu te amo, meu Brasil, eu te amo! Meu coração é verde, amarelo, branco, azul anil...”, da dupla Dom e Ravel, patrocinada pelos ditadores de plantação. (Se você tiver tempo, dê uma olhada na letra da música




Mulher que nasce aqui tem mais amor... Mulatas brotam cheias de calor... No carnaval, os gringos querem vê-las... Em terras brasileiras vou plantar amor!”.


As mulheres brasileiras, mulatas em especial, eram motivo de propaganda oficial para a gringaiada. Ou seja: já naqueles tempos a atual ministra do Turismo, Marta Relaxa e Goza Suplicy, teria emprego garantido!

Já não sonhamos mais. A bruxa da politicalha nos atirou um feitiço – estamos condenados a viver como idiotas e analfabetos, seguindo o “grande exemplo”, achando que é bonito ser feio!

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O "PRESIDENTE-TEFLON" É MEU!!!

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Engraçado... Mas depois que publiquei aqui, desde os primórdios deste ano, a alcunha de "presidente-teflon" para Lula, parece que a coisa virou moda inclusive na "grande" imprensa.

Vejamos: Clovis Rossi, respeitadíssimo comentarista político, publicou "Um risco no teflon", no dia 15 último, em que analisa as vaias a Lula na abertura do Pan 2007. Curiosamente, preconiza a criação de uma "teoria conspiratória"... Exatamente o que publiquei nos primeiros minutos do dia 14, instantes depois da vaia a Lula - e vocês, leitores desta página, são testemunhas disso!

Confira: http://www.fontebrasil.com.br/noticia_detalhe.asp?cod_noticia=10867

Também neste blog, no artigo "O beija-flor que pariu um morcego", já havia registrado o "título"...

Acho que vou requerer direitos autorais!

Ah! Sobre o trágico acidente com o avião da TAM escreverei amanhã. Se fizer isso hoje, vão acabar dizendo que eu não gosto do governo Lula...

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A SEXTA-FEIRA 13 DO PRESIDENTE-TEFLON



Lula: após trovão das vaias, até suas imagens sumiram da TV

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Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro, 20h da sexta-feira 13 de julho de 2007. Lugar e hora perfeitos para eu estar. Uma pena... Eu estava a 2 mil quilômetros de distância, em Irecê, sertão baiano, sentado à frente da TV – o que me serve de consolo.

Se você pensa que eu queria estar no velho Maraca por causa do “fabuloso” espetáculo de abertura do Pan Rio 2007, está enganado. Desejei estar em frente ao presidente Lula na hora em que levou a maior vaia de sua vida, com direito a transmissão ao vivo pelas redes de TV brasileiras e de vários outros países. Queria ver a aflição em seus olhos, decifrar o que sentiu o nosso presidente-teflon.

Imagino que Lula sentiu-se como o menino que, trancado em seu quarto, cria as mais fantásticas fantasias: numa hora ele é o Tarzan, em outra é o Homem Aranha, mais tarde se transforma no Super-Homem. Então ele pega a sua capa e, no instante em que ia começar a “voar” pelo quarto, a porta se abre e a mãe dá a ordem:

– Menino, é hora de tomar banho... Anda!

Puff!!! Foi-se embora a invulnerabilidade e a visão de raio-x... O super-herói volta a ser um gurizinho, olhos de cachorro com fome, com vergonha do flagra que seu “segredo” acabou de levar.

Lula ficou igual ao menino do exemplo acima. Pelo menos penso que foi assim. Acostumado a ir a eventos com platéia cuidadosamente selecionada para lhe aplaudir e paparicar, o do Maracanã foi a primeira vez que o presidente-teflon foi exposto a um público que não havia sido convidado para a festa. Muito pelo contrário: pagou por ela. Os marketeiros lulistas pensaram que tinham calculado tudo: a chegada do presidente ainda de manhã à Vila Olímpica, a festa da visita aos atletas verde-amarelos, alimentados com polpudos (e justos) patrocínios da Caixa Econômica Federal...
Estavam errados e acabaram atirando o chefe na toca dos leões. Queimaram toda a gordura que os (para mim) exagerados 47,5% de aprovação ao seu governo davam de energia. Está inaugurada a fase de queda livre nos índices de popularidade do lulismo. A máscara caiu.

O vexame foi tão grande que até as imagens do presidente sumiram dos canais de TV imediatamente após o trovão das vaias. O burburinho foi de tal proporção que nem o protocolo de abertura oficial dos jogos foi obedecido: a declaração que caberia a Lula, na qualidade de presidente do país anfitrião, foi-lhe sumariamente subtraída. Em seu lugar, falou Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro). Restou a imagem de um Lula acuado, semblante assombrado, aplaudindo a vaia a ele próprio dirigida. Parecia alguém flagrado justamente na hora do “pum”...

Já sei o que os lulistas dirão: o Maracanã estava tomado pela elite. Afinal, só ela tem dinheiro para pagar os ingressos do Pan. E é claro que a elite dominante está fula de raiva de Lula; nunca na história deste país os programas sociais do governo Federal transferiram tantos recursos para os pobres como agora – e não há elite que goste disso. Dessa forma, explicarão os lulistas, a classe dominante armou um extraordinário esquema para juntar 90 mil ricos em um só lugar para vaiar Lula: a abertura do Pan 2007. Pobre Lula! Os autores das vaias foram pessoas que pagam impostos, sofrem nas estradas e nos aeroportos, não têm escola de qualidade para seus filhos, assistem diariamente aos noticiários com um escândalo servindo de cortina de fumaça para outro. Não suportam mais tanto descaramento.

Detalhe: a “elite” que estava no Maracanã era tão preparada intelectualmente que, quando o presidente da Organização Desportiva Pan-Americana (Odepa), o mexicano Mario Vásquez Raña, pronunciou “Hoy...” em espanhol, que significa “hoje” em português, a platéia iniciou um simpático “ooooiii...”. Confesso: quase morri de vergonha da “minha” elite, pelo menos daquela que estava no estádio. Pelo que parece, não difere muito de Lula no quesito intelecto.

Fechando: o número 13 tem dado muita sorte a Lula. Mas parece que ele só funciona na urna eletrônica. Quando o 13 é o do calendário e, pior de tudo, numa sexta-feira...

Puff!!!

– Lula, é hora de tomar outra... Anda!

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CRISTO, PERDOA A NOSSA HIPOCRISIA!


Cristo Redentor: maravilha é o que se vê abaixo da estátua
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O dia 7 de julho de 2007 foi um marco na celebração da hipocrisia nacional. Os brasileiros chegaram ao êxtase nacionalista com a “eleição” da estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, como uma das 7 Novas Maravilhas do Mundo. O mesmo Rio de Janeiro da guerra civil não-declarada... Pura hipocrisia – este, aliás, um exercício cada vez mais colado ao caráter dos meus compatriotas.

Você conhece a estátua, que do alto do morro Corcovado abre seus braços sobre a cidade? Com 38 metros de altura (8 apenas na sua base), o monumento é realmente impressionante. Foi inaugurado no dia 12 de outubro de 1931, a pedra fundamental da obra foi lançada no dia 4 de abril de 1922, mas as obras somente foram iniciadas em 1926. Ao contrário do que muitos pensam, o projeto e sua execução é obra de brasileiros e não um presente da França, que nos emprestou apenas o escultor.

A verdade é que a estátua Cristo Redentor não tem lugar entre as sete (novas) maravilhas do mundo. O cenário que ela contempla, esse sim, talvez! A estátua nada mais é do que uma gigantesca escultura, cópia fiel de milhares de outras em menor escala. Se o Cristo Redentor está entre as 7 coisas mais fantásticas do mundo, então a Estátua da Liberdade, nos EUA, deveria estar entre as 3 – e olha que nada vejo de fantástico nela. Mas, sejamos verdadeiros, pelo menos ela é única, original...

Entre os 21 concorrentes ao status de “Maravilha do Mundo”, havia vários em condições mais legítimas do que a nossa “Cristo”. O que falar da Torre Eiffel? E da Acrópole de Atenas? Ou então de Angkor, no Camboja? Ou ainda do Templo Kiyomizu, no Japão? Não dá para comparar!

Para se ter idéia, a lista do Patrimônio Mundial da Humanidade estabelecida pela Unesco conta com 851 lugares e não inclui apenas monumentos, e sim complexos mais amplos como os centros históricos de algumas cidades ou áreas naturais.

O esquema da votação através dos telefones celulares e da internet tirou toda a legitimidade da escolha. Por exemplo: quais as chances de Timbuktu, em Mali, país africano entre os mais pobres do planeta, com cerca de 12 milhões de habitantes? A expectativa média de vida deles é de apenas 45 anos; a taxa de mortalidade infantil é de 47%. Você já viu as imagens de Timbuktu?

O Brasil tem 190 milhões de habitantes e cerca de 40 milhões de internautas – que poderiam votar uma, duas, três ou tanto quantos endereços de e-mail tivessem. Foi uma concorrência injusta.

Quem votou na estátua do Cristo Redentor o fez pelo menos por um destes motivos: porque é brasileiro e/ou porque juntou à estátua o deslumbrante cenário que descortina a partir dela. E nisso, vale repetir: a escultura apenas tem o privilégio de “ver” dia e noite uma verdadeira maravilha da Natureza. Isso não a torna uma maravilha.

Em tempo: eu também caí na armadilha dos publicitários. Votei no Cristo Redentor... Mas também votei em Timbuktu.
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LULISTAS, ME RESPEITEM!

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Tenho ouvido dos lulistas, a cada dia mais, a afirmação que “a vida dos pobres melhorou”; “antes pobre não entrava na universidade pública”; “Lula é criticado porque sua origem é pobre”; “agora até os ricos estão indo para a cadeia”; etc...
Cansei dessa cantiga de grilo! Não suporto mais ouvir que entre as qualidades do nosso presidente está a de possuir apenas o curso primário (portanto, Lula seria muito inteligente, posto que ganhou dos doutores), de ser “pobre”, de ter sua origem política nos “movimentos populares”...

Quero pedir aos lulistas que me respeitem enquanto ser pensante. Sou capaz de perceber a diferença entre um fusca e um jegue! Entretanto, como quero convidar os lulistas à reflexão sobre o que escrevo e falo, evoco uma figura histórica da nossa política: JK.

Juscelino Kubitschek de Oliveira, filho de um caixeiro-viajante e de uma professora primária, nasceu em 12 de setembro de 1902 em Diamantina, Minas Gerais. Com 3 anos de idade Juscelino ficou órfão de pai e foi criado por sua mãe. Estudou medicina em Belo Horizonte, formando-se em 1927. Fez curso e estágio complementar em Paris e Berlim em 1930. No ano seguinte, foi nomeado como capitão-médico da Polícia Militar de Minas Gerais. Iniciou sua carreira política em 1934, foi eleito deputado federal e exerceu o mandato até o fechamento do Congresso em novembro de 1937, com o golpe do Estado Novo. Foi ainda eleito deputado federal para a Assembléia Constituinte de 1945. Foi presidente do Brasil entre 1956 e 1961. Seu governo foi marcado por ações de grande repercussão interna e mesmo internacional, como:

- Plano de Metas para a economia brasileira, com 31 objetivos a serem alcançados;
- Criação do Conselho Nacional de Energia Nuclear;
- Construção das barragens de Furnas e Três Marias;
- Fundação de Brasília, nova capital do país, com localização estratégica, criando um pólo dinâmico no interior do território nacional.

Luiz Inácio da Silva nasceu em Garanhuns, Pernambuco, em 6 de outubro de 1945 – mas oficialmente nasceu no dia 27 do mesmo mês, data em que foi registrado. É filho de pequenos lavradores nordestinos. Em 1956 ele, a mãe e 7 irmãos foram para Guarujá, litoral paulista. O pai já trabalhava na estiva do porto de Santos como estivador; a mãe cuidava da prole e fazia pequenos serviços para ajudar no orçamento doméstico. Lula virou vendedor ambulante, engraxate e office-boy, antes de tornar-se torneiro mecânico, aos 14 anos. Em 1963 perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em uma prensa hidráulica. Em 1969 tornou-se sindicalista, chegando a ser preso pela ditadura. Em 1980, já reconhecido como líder político, foi co-fundador do PT. A partir desse ponto a trajetória de Lula até a chegada à Presidência da República, em 2002, é conhecida de todos.

Poderia, aqui, levantar vários questionamentos ou comparações. Por exemplo: vejo muita semelhança entre o Plano de Governo de JK e o “plano” de Lula (na verdade, acho que o lulismo nunca teve plano nenhum). Mas não farei essas comparações. Não agora. Enveredo por outro caminho, embora também comparativo: as origens e trajetórias de JK e Lula.

Ambos nasceram pobres. JK perdeu o seu pai aos 3 anos de idade; Lula praticamente “perdeu” também o seu, quando este largou a família e mandou-se para o “sul” (é assim que os nordestinos chamam tudo o que estiver abaixo da metade de Minas Gerais). Lula fez o primário (até a 4ª série) e abandonou os estudos; JK persistiu, formou-se médico, ingressou na carreira militar (onde aprendeu o que é disciplina)... Já Lula adentrou a seara sindical, onde o que menos existe é disciplina. Ambos se tornaram políticos, integraram Assembléias Constituintes; também aqui JK dá um banho de aquisição de experiência política e administrativa, tendo sido prefeito, governador, etc.

Não desmerecerei, jamais, as qualidades do nosso atual presidente. Imagino o quanto é difícil para um semi-analfabeto chegar à Presidência da República do seu país. É um feito e tanto.
Porém, há que se olhar a conquista pessoal de Lula sob dois prismas: o primeiro, o da vitória de um obstinado; o outro, o da derrota de um país. Sim, porque acho que nós, o povo brasileiro, falhamos no processo de criação e formação de lideranças. Perdemos conceitos e padrões que há meio século, quando elegeu-se JK, eram fundamentais na constituição de um grande e verdadeiro líder: visão global e de futuro, coragem e independência. Hoje, mesmo com o advento da comunicação instantânea, o nosso presidente está preso à visão dos Chávez e Morales da vida.

Sinto que caminhamos numa acelerada marcha à ré. Valorizamos agora, por incrível que pareça, a falta de cultura em detrimento do conhecimento; achamos lindo, aos aplausos, quando o analfabeto malandro dá o golpe no doutor engravatado. O que estamos transmitindo aos nossos filhos e netos quanto à nossa visão de realização na vida? E mais: se o fato de um iletrado chegar à Presidência do seu país é motivo de comemoração, para quê mantemos escolas e universidades? Para ensinar nossos filhos a ser cobaias dos espertalhões? Os lulistas pregam aos quatro ventos que “jamais os pobres tiveram acesso à universidade pública, um reduto da elite dominadora”. Pergunto: desde quando JK era rico dominador quando formou-se médico? E os milhões de engenheiros, advogados, pedagogos, sociólogos e tantos outros profissionais formados nas nossas universidades públicas, seriam todos eles milionários?

Não aprovo os males advindos com o projeto futurista de JK. A corrupção, por exemplo, ganhou farto campo para a sua proliferação. Mas não me parece que tenha crescido mais do que agora, com as hostes lulistas se apoderando de cada naco de poder e de riqueza que lhe passa à frente.

Repito: tanto quanto respeito a história do nosso presidente Lula, peço aos lulistas que respeitem a minha capacidade de análise e de entendimento dos fatos. Para os grilos que insistem na sua cantiga dedico uma borrifada de um ótimo e atualmente desvalorizado repelente: um composto de ética e de moral, misturado com um pouco de cultura.

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